Sucesso de público, exposição gratuita “A tensão” encerra temporada no CCBB Belo Horizonte no próximo dia 22

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Guyot/Ortiz

Barco e elevador flutuantes, janelas para jardins imaginários e até uma piscina em que o visitante pode entrar de roupa e ficar submerso sem medo de se afogar. As obras fazem parte da mostra “A tensão”, do argentino Leandro Erlich, que está em exibição no Centro Cultural Banco do Brasil Belo Horizonte (CCBB-BH). Quem ainda não conferiu tem até 22 de novembro para visitar a exposição, de quarta à segunda, das 10h às 22 horas. Os ingressos gratuitos devem ser reservados, com o horário de preferência pelo bb.com.br/cultura. Todas as quartas-feiras um novo lote é liberado.

A mostra tem um nome bastante explícito, “A tensão” (e sonoramente ambíguo: quem não lê pode ouvir “atenção”), revelador de um dos prováveis sentimentos que os visitantes sentirão diante das instalações de um dos nomes mais provocativos e populares da arte contemporânea. Isso porque Erlich trabalha com referências que são, literalmente, “lugares-comuns”, espaços que estamos acostumados a ver no dia a dia, mas deslocados da condição de normalidade. Como afirma o curador da exposição, Marcello Dantas, “a obra de Leandro Erlich é estruturada no mecanismo da dúvida. O que nossos olhos veem está em desacordo com o que nossa mente conhece”, sintetiza.

Leandro Erlich está constantemente rompendo as fronteiras que normalmente acreditamos existir entre a realidade e a ilusão. Uma das mais bem-sucedidas obras nesse sentido – que se tornou uma de suas produções mais populares e desconcertantes – é “Swimming Pool” (piscina, em português). Atração onde quer que seja exposta, provoca sensações absurdas tanto por quem entra nela – sem se molhar – quanto para quem está do lado de fora: uma camada de água entre um lado e outro cria a ilusão de que as pessoas ao fundo estão de fato mergulhadas numa piscina em que não precisam respirar.

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Outra obra desconcertante e grande destaque entre as instalações de Erlich presente na exposição de Belo Horizonte é “Classroom”. Nela, quando o visitante adentra na sala, sua imagem é refletida num vidro, como se ele fizesse parte de uma cena diferente. Nessa cena, o visitante se parece com uma espécie de fantasma, como se estivesse numa sala de aula abandonada – as memórias de infância se projetam para um cenário de crise e de abandono.

Trajetória 

Erlich participou de algumas grandes exposições no Brasil. Em 1997, integrou o rol de artistas que estiveram na 1ª Bienal do Mercosul e, em 2004, figurou entre os nomes da 26a Bienal de São Paulo. Em 2001, representou a Argentina na 49ª Bienal de Veneza, onde voltou a estar em 2005. São, também, dezenas as grandes exposições coletivas em que Erlich esteve, assim como são dezenas as exposições individuais de Erlich pelo mundo: New York, Barcelona, Londres, Seul, Paris, Buenos Aires: onde quer que seja exposta, a arte de Leandro Erlich provoca o público.

As ilusões óticas e a subversão da realidade propostas por Erlich fazem dele um artista, simultaneamente, conceitual e tremendamente popular. A exposição “Ver e crer”, no Museu Mori de Tokio, aberta no fim de 2017, atraiu 400 mil espectadores pagantes nos três primeiros meses, superando a bilheteria alcançada pelo japonês Takashi Murakami (315 mil ingressos) e se aproximando do resultado obtido pelo Ai Weiwei (460 mil) no mesmo período. À época, o museu destacou o interesse que a obra do argentino provocava entre os jovens e adolescentes, que representavam cerca de metade dos visitantes.

Além de provocar o olhar destes visitantes em particular, as obras de Erlich convidavam à interação nas redes sociais: o Instagram ficou cheio de fotos de jovens integrados ao espaço expositivo e esse foi um dos motores, também, do sucesso de público. Em 2018, ao transformar o teto de uma enorme loja de departamentos de Paris em céu artificial, foi chamado pela imprensa, positivamente, de “manipulador do real” e de “o mágico da arte”. A reputação se manteve quando expôs no Museu de Arte Latino- americana de Buenos Aires (Malba), em 2015, fazendo “desaparecer” um pedaço de um grande obelisco da capital argentina enquanto uma réplica da ponta do monumento era exibida na porta do museu. 

 “A tensão”, Leandro Erlich 

Centro Cultural Banco do Brasil Belo Horizonte

De quarta à segunda, das 10h às 22 horas.

 Ingressos gratuitos devem ser reservados pelo bb.com.br/cultura.

Até 22/11/2021