Movimento dos Atingidos por Barragens participa de reunião no TJMG; manutenção do PTR foi uma das pautas

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Riva Moreira / TJMG

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) realizou, nesta sexta-feira (11), uma reunião com representantes do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) para tratar de ações judiciais relacionadas ao rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho. O desastre, ocorrido em 25 de janeiro de 2019, causou a morte de 272 pessoas e gerou impactos ambientais e socioeconômicos em mais de 20 municípios.

O encontro foi conduzido pelo juiz auxiliar da Presidência do TJMG, Marcelo Rodrigues Fioravante, que representou o presidente da Corte, desembargador Luiz Carlos Corrêa Junior, e pela juíza convocada Maria Dolores Gióvine Cordovil, relatora de processos ligados ao tema no Núcleo de Justiça 4.0 – Cível.

Uma das principais pautas discutidas foi a manutenção dos pagamentos do Programa de Transferência de Renda (PTR), auxílio emergencial implementado após o desastre. Segundo a juíza Maria Dolores, o MAB apresentou dois agravos internos que tratam do ressarcimento dos atingidos e da continuidade do benefício. Um deles está atualmente com a Procuradoria de Justiça para parecer, e ambos têm previsão de julgamento até o dia 25 de agosto de 2025.

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“Algumas comunidades podem ter os pagamentos suspensos em setembro, por isso eles vieram pedir celeridade. Quero deixar claro que essa demanda está sendo tratada com o maior carinho possível. É um processo especial para o TJMG, que contribui para a construção de jurisprudência sobre leis criadas após o rompimento da barragem”, explicou a magistrada.

Durante o encontro, o juiz Marcelo Fioravante destacou as iniciativas do TJMG para acelerar a tramitação dos processos relacionados à tragédia. Entre elas, estão a criação do Núcleo de Justiça 4.0 – Cooperação Judiciária, voltado ao tratamento concentrado dos casos de Brumadinho; a definição de juízos competentes para evitar decisões conflitantes; e a instalação de uma central de perícias individuais, que já auxiliou em cerca de 12 mil ações envolvendo questões de saúde mental.

“O TJMG tem tratado com muito cuidado e atenção as demandas apresentadas pelos atingidos. O objetivo é entregar uma jurisdição mais qualificada a todos os envolvidos, sejam os atingidos, seja a empresa. O papel da jurisdição é solucionar conflitos para que todos entendam a melhor aplicação da lei”, afirmou Fioravante.

Para o coordenador nacional do MAB, Joceli Andrioli, a reunião foi produtiva e reforçou o compromisso da Justiça mineira com o avanço das ações.

“A reparação integral em Brumadinho ainda está longe de acontecer, mas a reunião foi bastante produtiva. Viemos cobrar celeridade no julgamento do agravo que discute o direito dos atingidos a continuarem recebendo a medida emergencial de pagamento mensal. Saímos com a boa notícia de que o julgamento será realizado em breve”, afirmou.