Funcionários da Petrobras entram em greve por tempo indeterminado; Regap, em Betim, adere à paralisação

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Divulgação / Sindipetro MG

Funcionários da Petrobras iniciaram, à zero hora desta segunda-feira (15), uma greve nacional por tempo indeterminado. Em Minas Gerais, a paralisação atingiu unidades estratégicas, incluindo a Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Betim, além da Usina Termelétrica de Ibirité (UTE-IBT) e da Usina de Biocombustível Darcy Ribeiro (PBio), em Montes Claros, onde houve corte de rendição na entrada dos turnos de trabalho.

A decisão pela greve foi tomada durante assembleia realizada nesta segunda-feira pelo Sindicato dos Petroleiros de Minas Gerais (Sindipetro/MG). A categoria aprovou, por unanimidade, a deflagração do movimento e a manutenção de assembleia permanente. No balanço geral das votações em Minas, 249 trabalhadores se posicionaram favoravelmente à greve, sete foram contrários e oito se abstiveram. Já a assembleia permanente teve 260 votos favoráveis e quatro abstenções.

Após a assembleia, foi realizado um ato na tenda da Regap, reunindo representantes de diferentes entidades sindicais e movimentos sociais, como CUT Minas, CSP-Conlutas, Sindágua, Sindicato dos Trabalhadores nos Correios, Sisema, Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e Levante Popular da Juventude.

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Segundo o Sindipetro/MG, a paralisação reflete a insatisfação dos trabalhadores com a condução das negociações do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) pela direção da Petrobras. Entre as principais reivindicações estão o fim dos Planos de Equacionamento de Déficits (PEDs) da Petros, que impactam aposentados e pensionistas, uma distribuição considerada mais justa da riqueza gerada pela empresa e a incorporação da chamada “Pauta pelo Brasil Soberano”, que defende a valorização da estatal. “Esses pontos são centrais para a categoria e motivaram a decisão pela greve”, afirmou o coordenador-geral do Sindipetro/MG, Guilherme Alves.

A diretora do sindicato, Carmen Rodrigues, destacou o caráter coletivo do movimento. “Essa greve é um dando a mão para o outro. O sindicato estará de plantão o tempo todo. Em caso de assédio, acionem a gente. Essa luta é de todos e todas”, declarou.

O sindicato também orienta que os grevistas compareçam às portarias das unidades nos horários habituais de trabalho para construir coletivamente os encaminhamentos do movimento. Trabalhadores em regime de teletrabalho, segundo a entidade, não devem responder a demandas por telefone ou meios virtuais durante o período de greve.

Em nota, a Petrobras informou que registrou manifestações em algumas de suas unidades em razão do movimento grevista, mas afirmou que não houve impacto na produção de petróleo e derivados. A companhia destacou que adotou medidas de contingência para garantir a continuidade das operações e assegurou que o abastecimento ao mercado permanece normal.

“A empresa respeita o direito de manifestação dos empregados e mantém um canal permanente de diálogo com as entidades sindicais”, informou a Petrobras, acrescentando que segue empenhada em concluir as negociações do acordo coletivo na mesa de diálogo.