
A Fundação Getulio Vargas (FGV) anunciou nesta sexta-feira (19), em comunicado publicado no site da instituição, que o Programa de Transferência de Renda (PTR) de Brumadinho terá sua última parcela paga em outubro de 2025. A decisão surpreendeu milhares de beneficiários, já que, em fevereiro deste ano, a própria FGV havia informado que os pagamentos se estenderiam até janeiro de 2026.
Segundo a FGV, o encerramento ocorre em razão do esgotamento dos recursos previstos no Anexo I.2 do Acordo, que destinou R$ 200 milhões adicionais ao Pagamento Emergencial e R$ 4,2 bilhões para o PTR, totalizando R$ 4,4 bilhões. Em nota, a entidade destacou que a gestão do Fundo FGV-PTR gerou cerca de R$ 1,3 bilhão a mais, o que permitiu ampliar o número de beneficiários e o total de parcelas além do previsto inicialmente.
A instituição também informou que os retroativos do PTR e do Pagamento Emergencial serão pagos em outubro, com calendário a ser divulgado em breve. Os valores estão garantidos tanto para quem já está cadastrado quanto para requerentes em processo de análise que tiverem seus pedidos deferidos.
Apesar disso, a notícia gerou apreensão em comunidades atingidas da Bacia do Paraopeba, como Brumadinho, Betim e São Joaquim de Bicas. Muitos beneficiários afirmam que não estavam preparados para o fim antecipado do programa.
Em reação ao anúncio, o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) convocou uma manifestação na próxima quinta-feira (25 de setembro), em Belo Horizonte. A concentração será na sede do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), às 10h30, onde está prevista uma reunião com a Juíza Auxiliar da Presidência.
De acordo com a convocação divulgada nas redes sociais, após o ato no TJMG os manifestantes seguirão em marcha até a sede do Ministério Público Federal (MPF). O movimento critica a postura do Governo de Minas e afirma que seguirá mobilizado em defesa do auxílio emergencial e do direito à participação e informação das comunidades atingidas.



