
Reconhecida como uma das mais importantes expressões da cultura popular brasileira, a capoeira foi o centro das atenções em Betim nesta quarta-feira (5). A Casa da Cultura Josephina Bento sediou o Encontro com Mestres e Lideranças da Capoeira, que marcou o lançamento do Plano de Revalidação do Registro da manifestação como patrimônio cultural imaterial do município, em alusão ao Dia Municipal do Capoeirista.
O encontro reuniu mestres, lideranças, praticantes e representantes do poder público em um espaço de escuta, diálogo e construção coletiva. Durante a atividade, foi apresentada a proposta do plano de revalidação, instrumento que vai orientar a elaboração do plano de salvaguarda da capoeira em Betim pelos próximos dez anos.
A trajetória de reconhecimento da capoeira reúne marcos importantes em diferentes esferas. Em 2008, a manifestação foi registrada como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Em 2014, a Roda de Capoeira recebeu o título de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. No mesmo ano, mestres, rodas e grupos de capoeira de Betim também foram registrados como patrimônio cultural imaterial do município.
A revalidação do registro prevê etapas como atualização cadastral de grupos e mestres, pesquisa de campo, mapeamento sistemático, apresentação da proposta de salvaguarda e elaboração de um dossiê de revalidação. O processo inclui pesquisa junto aos detentores do saber ainda em atividade, levantamento documental, análise técnica e consolidação das informações em relatório que atesta a continuidade dos valores culturais e orienta as ações de proteção.
As ações de revalidação e salvaguarda terão continuidade nos próximos meses, com participação dos detentores da manifestação e acompanhamento da Secretaria Municipal de Cultura.
Instituído pela lei municipal nº 5.225, de 2011, o Dia Municipal do Capoeirista é celebrado em 5 de fevereiro e reforça a importância histórica, social e cultural da capoeira em Betim.
“O plano de salvaguarda é essencial para revisitar todo esse processo e compreender as responsabilidades compartilhadas entre o poder público e a comunidade da capoeira, uma manifestação construída de forma coletiva. É fundamental contar a história da capoeira a partir das pessoas que a constroem no dia a dia. Já identificamos, inclusive, alguns pontos nesse encontro que podem se tornar um dos eixos do plano. A revalidação do registro é um procedimento técnico e participativo que permite avaliar se os valores culturais, históricos e sociais que fundamentaram o reconhecimento da capoeira permanecem vivos e atuantes no território”, destaca o superintendente municipal de Patrimônio Cultural, André Bueno.



