
Nesta quinta-feira, 2 de abril, é celebrado o Dia Mundial da Conscientização do Autismo, uma data dedicada à reflexão, ao aprendizado e à promoção da inclusão. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 70 milhões de pessoas no mundo têm Transtorno do Espectro Autista (TEA), sendo aproximadamente 2 milhões no Brasil. Mais do que uma data simbólica, o momento reforça a importância de iniciativas que incentivem a empatia, o respeito e a inclusão de forma contínua.
Em Betim, uma ação desenvolvida no Polo 20 do Projeto CASA, realizado pelo Instituto Ramacrisna em parceria com a Prefeitura, tem chamado a atenção por unir criatividade, acolhimento e impacto social. A iniciativa surgiu durante as aulas da oficina de biscuit e resultou na produção de pedrinhas sensoriais artesanais, criadas para estimular o toque e auxiliar na regulação emocional de pessoas com TEA.
Além do público com autismo, os objetos também têm apresentado benefícios para pessoas com ansiedade, TDAH e outras condições. Produzidas pelas alunas durante as oficinas, as pedrinhas carregam não apenas uma função terapêutica, mas também um valor afetivo.
A psicóloga Jéssica Tauane explica que os recursos sensoriais ajudam no foco e na regulação emocional. Segundo ela, pessoas com TEA costumam apresentar maior sensibilidade a estímulos sensoriais, especialmente relacionados a texturas. “Recursos como essas pedrinhas auxiliam nesse processo, porque o toque funciona como um ponto de foco que ajuda o corpo e a mente a se acalmarem. Apesar de serem muito usadas por pessoas com autismo, também podem beneficiar qualquer pessoa que precise de apoio para se acalmar, principalmente em casos de ansiedade”, afirma.
A iniciativa já apresenta resultados positivos. Rayane Clisma, de 28 anos, é mãe atípica de Alan Gabriel, de 7 anos, e relata a mudança no comportamento do filho. “A pedrinha realmente acalma meu filho. É visível a diferença quando ele utiliza. A própria escola aprovou a iniciativa. Um dia ele esqueceu a pedra em casa e ficou mais agitado e nervoso. A coordenação pedagógica sugeriu que ele tivesse uma na mochila para usar durante as aulas. Como mãe, tem sido uma excelente experiência”, conta.
Responsável pela oficina, a professora de biscuit Helen Freitas, que também é mãe de uma criança autista, destaca a aceitação da proposta. “Em ambientes com muitas informações, que podem gerar estresse, uma válvula de escape como as pedrinhas ajuda muito. Quando trouxe a ideia, as pessoas abraçaram e o resultado tem sido muito positivo. Algumas crianças do polo utilizaram e gostaram bastante. Meu filho também aprovou, a textura auxilia nesses momentos em que eles precisam se movimentar”, explica.
Para a coordenadora de projetos do Instituto Ramacrisna, Aline Fauez, ações como essa reforçam o papel social das iniciativas desenvolvidas nas comunidades. “Quando transformamos uma oficina em um espaço de escuta e criação de soluções reais, ampliamos o impacto dos projetos. A inclusão pode nascer de forma simples, mas com grande significado. O Polo 20 do Projeto CASA, localizado na regional Imbiruçu, é um exemplo de como pequenas ações podem fazer a diferença”, afirma.
Sobre o Projeto CASA

O Projeto CASA (Cultura, Assistência Social e Atividades Esportivas), realizado pelo Instituto Ramacrisna em parceria com a Prefeitura de Betim, oferece atividades e cursos gratuitos em cinco polos da cidade para moradores a partir de 6 anos. A iniciativa promove ações nas áreas de esporte, cultura, educação e qualificação profissional, com modalidades como futebol, futsal, artes marciais, natação, balé, zumba, pilates, ginástica, além de artesanato, música, reforço escolar e atividades recreativas, contribuindo para o desenvolvimento social e o acesso a oportunidades.




