
O equilíbrio entre desenvolvimento econômico e preservação socioambiental marcou a audiência realizada nesta quinta-feira (3) na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) sobre o Circuito Veredas do Paraopeba. A reunião, solicitada pelo presidente da Comissão Extraordinária de Turismo e Gastronomia, deputado Mauro Tramonte (Republicanos), discutiu a importância do circuito — que reúne 17 municípios — para o turismo, a gastronomia e a economia criativa do estado.
O principal tema foi a preocupação com a instalação de uma ferrovia de 32 km na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), que atravessaria áreas do Circuito Veredas do Paraopeba, incluindo nascentes, córregos e a Área de Preservação Ambiental (APA) Igarapé, onde está a Pedra do Igarapé, importante ponto turístico local. A advogada Isabella Oliveira Lopes Rezende, do Movimento Unidos Contra a Ferrovia, alertou que o projeto da Cedro Participações já possui autorização da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e declaração de utilidade pública, mas não apresentou estudo de impacto ambiental, social ou econômico. “O empreendimento está correndo às cegas”, criticou.
A diretora da ACMinas, Luciana Rodrigues Atheniense, destacou a necessidade de análise criteriosa para evitar que a ferrovia prejudique a economia dos municípios do circuito. Já a deputada Beatriz Cerqueira (PT) questionou o modelo de desenvolvimento representado pelo projeto e ressaltou que a região já possui potencial para gerar emprego e renda sem depender de empreendimentos de alto impacto.
O deputado Mauro Tramonte anunciou nova audiência para aprofundar o debate sobre a ferrovia e apresentou requerimento à ANTT solicitando informações sobre o cumprimento da Lei das Ferrovias (Lei 14.273/21) pela Cedro Participações.
Dependência da mineração e transição econômica
Participantes da audiência destacaram que a mineração ainda representa a principal fonte de recursos para muitos municípios do circuito, inclusive em projetos culturais via Lei de Incentivo à Cultura. O vice-prefeito de Igarapé, Daute Henriques Alvim, alertou que o Projeto de Lei (PL) 3.402/25, em tramitação na ALMG, pode dificultar o licenciamento ambiental de projetos dutoviários na RMBH e impactar investimentos de mineradoras na ordem de R$ 6 bilhões, com risco de desemprego e retração econômica. Tramonte, que apresentou emendas ao PL para mitigar esses impactos, afirmou que é preciso equilíbrio: “Sou defensor do meio ambiente, mas também dos trabalhadores”, disse, lembrando que 30 mil empregos podem ser afetados.
Para o secretário de Cultura e Turismo de Itaúna, Marcinho Hakuna, é urgente planejar a transição econômica dos municípios para reduzir a dependência da mineração. Como alternativa, o investimento de R$ 130 milhões do grupo Vila Galé em um resort em Brumadinho foi comemorado por autoridades como um sinal de fortalecimento do turismo.
Governo reforça apoio ao Circuito Veredas do Paraopeba
Representantes do Governo de Minas reafirmaram apoio às iniciativas do Circuito Veredas do Paraopeba. Emanuelle Aparecida de Oliveira, diretora de Produtos Turísticos da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult), ressaltou que o circuito faz parte da estratégia de interiorização do turismo em Minas Gerais e participa ativamente de eventos nacionais e internacionais.
Já Marco Antônio Mendonça Gaspar, superintendente de Micro e Pequena Empresa da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede), colocou a pasta à disposição dos municípios para ajudar na criação de legislações que estimulem a atração de empresas e investimentos. “Desburocratizar o ambiente de negócios é essencial para que grandes investimentos também fortaleçam as microempresas locais”, concluiu.
A audiência reforçou a necessidade de diálogo entre população, poder público e investidores para garantir que o desenvolvimento econômico ocorra de forma sustentável e respeitando as potencialidades turísticas e culturais do Circuito Veredas do Paraopeba.



