Covid-19: Relatório parcial de pesquisa aponta que 0,46% da população de Betim já teve contato com o vírus

0
2013

 

Beto Monteiro/Secom UnB

A Prefeitura de Betim apresentou o resultado parcial da pesquisa que está realizando sobre a circulação do novo coronavírus no município. De acordo com o relatório, 0,46% da população já teve contato com o vírus, ou seja, pode-se considerar que, em média, 2.036 pessoas já foram contaminadas pelo vírus em Betim. Por esse resultado, calcula-se que pode haver uma subnotificação de casos da Covid-19 no município em 11 vezes, ou seja, 11 casos não notificados para cada um confirmado.

O estudo tem como base a população do município, de 439.340 habitantes, e tem um nível de confiança de 90% e margem de erro máxima de 2,5%. A primeira rodada da pesquisa foi realizada entre 2 e 5 de junho, com uma mostra de 1.080 pessoas, estratificada por idade e sexo. Foram preenchidos 1.079 inquéritos epidemiológicos e realizados 2.158 exames: 1.079 testes rápidos e 1.079 RT-PCR. Desse total, três testes rápido foram positivos, indicando que o participante já havia sido exposto ao vírus. Quanto aos exames de RT-PCR, dois deram positivos, indicando que a infecção estava ativa no momento da coleta. Dos participantes positivos, três informaram não ter apresentado nenhum sintoma da Covid-19 e um informou ter apresentado apenas um sintoma. Portanto, 80% da mostra soropositiva apresentavam a forma subclínica da doença, ou seja, é assintomática.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

De acordo com o estudo, os cinco resultados com soropositividade representam 0,46% do total da amostra coletada. Isso indica que a prevalência para o novo coronavírus (SARS-CoV-2) na população pode estar entre 0,12% a 0,80%. A média de número de casos é de 2.036, com limite inferior em 542 casos e o superior em 3.530 casos.

De acordo com a doutora Ana Valesca Fernandes, a pesquisa mostrou ainda a presença de dois grupos de risco em Betim. Os adultos jovens, de 20 a 59 anos, são a maioria da população (63%) e 33% deles apresentam alguma comorbidade, podendo desenvolver a forma grave da Covid-19. O outro grupo são os idosos, acima de 60 anos, que representam 9% da população. Eles possuem uma ou mais comorbidades e apresentam alto risco de doença grave. “As comorbidades mais referidas no estudo foram hipertensão e diabetes, que são consideradas preditoras da forma grave da Covid-19. Ou seja, quem tem essas duas comorbidades pode vir a ter a forma grave da doença,” afirmou Ana Valesca.

De acordo com o secretário adjunto de Gestão da Saúde, Augusto Viana, os resultados preliminares da pesquisa já darão subsídios para a tomada de decisões da gestão. “O grupo etário de 20 a 59 anos é o que está economicamente ativo e mantém maior contato e mobilidade social. Nossas ações de prevenção ao contágio do coronavírus já atingem esse público e deverão se intensificar para evitar que essas pessoas se contaminem e transmitam o vírus para os familiares,” comentou o secretário.

SEGUNDA FASE DA PESQUISA

A segunda rodada do trabalho de campo da pesquisa será realizada nos dias 23, 24 e 25 de junho. Novamente, os pesquisadores visitarão 1.080 residências em todas as regionais de Betim, sorteadas por um programa e computador. Será aplicado um questionário e realizados os dois exames, teste rápido e rt-PCR.

Os profissionais das equipes que realizarão o trabalho de campo estarão uniformizados e identificados. E em todos os documentos, autorizações e formulários da pesquisa constarão o telefone para que os participantes possam confirmar a idoneidade da pesquisa.

A PESQUISA

A pesquisa científica “Soroprevalência para SARS-CoV-2 em residentes de Betim, MG, 2020” está sendo realizada pela Prefeitura de Betim, em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O estudo segue o protocolo da Organização Mundial de Saúde e está sendo desenvolvido pelo Núcleo de Pesquisa da Escola de Saúde Pública de Betim, ligada à Secretaria Municipal de Saúde. O trabalho está sendo realizado por servidores da Secretaria Municipal de Saúde e da Superintendência de Tecnologia da Informação, com a coordenação da doutora Ana Valesca Fernandes, enfermeira da rede SUS Betim.

Inicialmente, o trabalho de campo será realizado em 3 etapas, podendo chegar a cinco. Para a realização da pesquisa, o setor de geoprocessamento da Superintendência de Tecnologia da Informação dividiu o território do município em 36 áreas, com base nos setores censitários do IBGE e a densidade demográfica. A amostragem de 1.080 moradores, por etapa, foi definida estatisticamente pelo bioestatístico da Secretaria de Saúde, com base na população do município, divididos por sexo e faixa etária, para cada uma das etapas do trabalho.

A aplicação de dois exames é o diferencial da pesquisa. O teste rápido identifica se a pessoa já foi contaminada pelo novo coronavírus em algum momento. Já a qRT-PCR determinará se a pessoa está com o vírus no momento do exame, manifestando ou não sintomas da doença.

Ao longo da pesquisa, serão testadas cerca de 5.400 pessoas. Além de estimar cientificamente o número pessoas contagiadas e a variedade do vírus em circulação no território, a pesquisa vai permitir identificar a taxa de subnotificação na população. O trabalho vai permitir ainda definir a proporção de assintomáticos, os sintomas mais prevalentes e estimar as taxas de detecção e letalidade da doença.