Cachaça branca produzida em Igarapé conquista primeiro lugar em prêmio nacional

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A Cachaça Durvalina, produzida artesanalmente em Igarapé, conquistou o primeiro lugar na categoria Cachaça Branca de Alambique do Prêmio CNA Brasil Artesanal 2026. O resultado foi anunciado durante cerimônia realizada em 15 de outubro, promovida pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

A premiação reuniu produtores de diferentes regiões do país e contou com 170 amostras inscritas na modalidade Cachaça de Alambique. O concurso reconhece a qualidade da produção artesanal brasileira e valoriza o trabalho de pequenos produtores.

Entre os parceiros da CNA na realização dos concursos estão a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e a Universidade Federal de Viçosa (UFV).

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A cerimônia reuniu finalistas, familiares, representantes de entidades do setor agropecuário e autoridades brasileiras e internacionais, incluindo representantes da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), da União Europeia e do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

Para celebrar a conquista, o prefeito de Igarapé, Arnaldo Chaves, o vice-prefeito Dautinho e o secretário municipal de Cultura e Turismo, Gabriel Palhares, visitaram o alambique de João Alves Pereira, responsável pela produção da cachaça premiada. A filha do produtor, Aline Alves Pereira, também participou do encontro.

Tradição familiar

A história da Cachaça Durvalina começou há 43 anos, quando João Alves Pereira decidiu investir na produção da bebida após enfrentar prejuízos no cultivo de hortaliças. O empreendimento contou com o apoio de seu pai, Durval, apreciador de cachaça que inspirou o nome da marca.

Aos 74 anos, João continua acompanhando as etapas da produção, trabalhando ao lado da filha Aline, tecnóloga em Gestão Ambiental que passou a integrar oficialmente o negócio da família em 2024. A decisão de mudar de profissão e a necessidade de reforçar a mão de obra no empreendimento motivaram seu retorno ao Sítio João Durval, na zona rural de Igarapé.

Um dos primeiros desafios assumidos por Aline foi a regularização do alambique junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária. O processo contou com a assistência da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG), que orientou a família nas adequações necessárias à estrutura e na emissão do Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF).

Segundo a extensionista da Emater-MG, Carolina Vilela Moreira, o acompanhamento técnico e o empenho da família foram fundamentais para a conclusão do processo.

“A regularização é a concretização de todo o esforço dedicado. Seria impossível sem a dedicação de todos. É um mix de emoções, alívio, alegria e sensação de dever cumprido”, afirma Aline.

Produção abastece cidades da região

Atualmente, Aline e a irmã, Renata Alves Pereira, são responsáveis pela gestão administrativa do empreendimento. João, um primo e um funcionário atuam no cultivo da cana-de-açúcar e na fabricação da bebida.

O alambique produz dois tipos de cachaça: a branca, armazenada em barris de madeira de amendoim, e a amarela, envelhecida em barris de amburana. A comercialização atende consumidores de Igarapé, São Joaquim de Bicas e Juatuba.

Para Carolina Vilela Moreira, a trajetória da família demonstra a importância da sucessão familiar no campo e da participação feminina nas atividades rurais.

“O diálogo entre pai e filhas teve como resultado transformações no alambique, na organização do processo produtivo e na qualidade da cachaça. A participação das irmãs ainda evidencia a crescente inserção das mulheres nas atividades produtivas do meio rural e traz novas perspectivas para o setor”, destaca.