Betim celebra o 28º Concerto Contra o Preconceito, o evento será todo online

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Foto: Anselmo UBL

Há 28 anos, janeiro é sempre um mês especial para a comunidade da Colônia Santa Isabel, localizada na região do Citrolândia, em Betim. Nesta época, é celebrado o Concerto Contra o Preconceito, que celebra a diminuição da discriminação à hanseníase e relembra um importante período da história de Betim.

Nos dois últimos anos, o concerto não foi realizado. Em 2019, os eventos foram suspensos em respeito às vítimas da tragédia de Brumadinho. Já em 2020, diante das fortes chuvas que atingiram a região e também em solidariedade às vítimas das enchentes, a Prefeitura de Betim optou por adiar, mas logo em seguida veio a pandemia do novo coronavírus e todos os eventos foram suspensos.

Diante do cenário atual, que ainda não permite eventos e aglomerações, a 28ª edição do Concerto Contra o Preconceito será realizada em um novo formato, o digital. O público poderá participar da programação assistindo várias lives, que vão abordar a luta contra o preconceito  contra a hanseníase e também esclarecer a população sobre a doença, transmissível, mas que tem cura e não deixa sequelas, se diagnosticada precocemente.

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O Concerto Contra o Preconceito é organizado pela Prefeitura de Betim, por meio da Secretaria de Arte e Cultura e da Associação Comunitária da Colônia Santa Isabel, com o apoio do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan – Betim) e da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig).

Para o secretário de Arte e Cultura, Gê Rodrigues, “é muito importante dar continuidade a este evento tão significativo para os moradores da região de Citrolândia, ainda que de forma online. Muito mais do que uma festa, O Concerto Contra o Preconceito promove a conscientização sobre a hanseníase e contribui diretamente, através da informação e da cultura, para a eliminação do preconceito contra a doença”.

O diretor nacional do Morhan e morador de Santa Isabel, Thiago Flores, explica que “a última semana de janeiro é uma data superimportante no combate à hanseníase, no cenário internacional. O Concerto Contra o Preconceito é a maior atividade de luta pelo fim da discriminação no Brasil. O novo normal, dentro do contexto da pandemia, não permite as atividades presenciais, mas, dentro do que é possível, estamos dando ao 28°  concerto, a importância que ele merece, após dois anos sem ser realizado”, completa.

Morador da Colônia Santa Isabel, Hélio Dutra é presidente da Associação Comunitária da Colônia e participa do Concerto Contra o Preconceito, desde a sua primeira edição, em 1993. Ele conta que o evento é sempre muito aguardado, porque envolve a participação da comunidade e de muitos artistas locais e representantes de  várias colônias do país. “Celebrar a semana de combate à hanseníase na Colônia Santa Isabel, através do Concerto Contra o Preconceito, é um momento muito importante para a nossa comunidade. Colocamos em evidência não só a história da Colônia Santa Isabel, mas destacamos a necessidade do tratamento precoce e a importância do combate ao preconceito”, destaca.

Neste mês, a comunidade também foi presenteada com a iluminação de roxo na fachada do   Centro de Memória da Hanseníase Luiz Verganin, remetendo à campanha nacional “Janeiro Roxo”, que tem o objetivo de dar visibilidade ao tratamento da doença, além de combater o preconceito. A ação foi lançada pela Prefeitura de Betim, com a parceria da Associação dos Moradores da Colônia Santa Isabel, Regional Citrolândia e  Secretaria Municipal de Arte e Cultura.

PROGRAMAÇÃO 28º CONCERTO CONTRA O PRECONCEITO – 2021
FORMATO – LIVE

Quarta-feira, 27 de janeiro
18h: Live – História da hanseníase
Coordenação: Reinaldo Becler.
Transmissão: Redes sociais  Dahw Brasil.

Quinta-feira, 28 de janeiro
19h: Culto de Ação de Graças contra o Preconceito, realizado pelas igrejas evangélicas de Citrolândia.
Transmissão – Instagram: @igrejaamorinfinito

Sexta-feira, 29 de janeiro
19h: Seminário: estigma e educação – história dos primeiros estudantes de Citrolândia e Santa Izabel no centro de Betim.
Mediação: Inhana Olga
Transmissão: Facebook MORHAN MG

Sábado, 30 de janeiro
10h: Live Via Sacra Luiz Veganin
Transmissão – redes sociais Prefeitura de Betim (Face, Instagram e YouTube)*
Mediação: Thiago Flores
Participantes: Frei Xico, Elisangela Gomes, Agnaldo Pinho e representante da Secretaria Municipal de Cultura.
14h: Live apresentações artísticas
Transmissão – redes sociais Prefeitura de Betim (Face, Instagram e YouTube)*
Atrações: ainda serão confirmadas.

Domingo, 31 de janeiro
08h: Missa em Ação de Graças ao 28° Concerto Contra o Preconceito.
Local: Igreja Matriz da Colônia Santa Izabel
Transmissão:   https://youtube.com/channel/UCjUA7hYxqxH4xYxMZlWPWMg


Colônia Santa Isabel

Construída como alternativa para o controle da hanseníase crescente no Brasil  na década   de 1920, a Colônia Santa Isabel recebia pacientes portadores da doença de Minas e de outras regiões do país. Por meio da ação de “médicos caçadores”, os enfermos eram isolados do convívio social e internados no hospital, inaugurado em 1931.

Mais tarde, próximo à colônia, surgiu o bairro Citrolândia, criado especialmente para abrigar familiares dos pacientes. Por vários anos, os moradores da região sofreram com o estigma do preconceito. Somente no fim da década de 1980, com a mudança da política nacional em relação às 33 colônias existentes no Brasil, os pacientes receberam alta e os portões de Santa Isabel foram abertos.

Desde então, a antiga Colônia se transformou em uma região de diversidade cultural, que reúne desde clubes de futebol a barzinhos e salões para dança. Há 17 anos, moradores de várias regiões de Betim se unem à comunidade para comemorar a diminuição da discriminação e relembrar este importante período da história da cidade e do Estado.

O que é hanseníase?
É uma doença humana, transmissível e curável, causada por um micróbio (o bacilo de Hansen). Ataca os nervos periféricos, a pele e a mucosa nasal, podendo também afetar outros órgãos como o fígado, os testículos e os olhos.

A hanseníase tem cura?
Sim. A cura acontece utilizando-se medicamentos que provocam a morte dos bacilos. Porém, se o tratamento for tardio ou inadequado, a pessoa pode ficar com sequelas, mesmo já estando curada da infecção. Neste caso, as deformidades não transmitem a infecção.

Sinais e sintomas
Os primeiros sinais da doença são pequenas manchas dormentes de cor esbranquiçada ou avermelhada. Se não for mancha dormente, não é mancha de hanseníase. A dormência significa a perda da sensibilidade ao calor, à dor e ao tato.

Como se pega hanseníase?
A hanseníase se pega somente de uma pessoa infectada, apresentando forma contagiante, e que não esteja fazendo tratamento (quando inicia o tratamento deixa de transmitir). A doença não se pega num aperto de mão, num abraço ou usando diversos utensílios como copos, talheres ou pratos, compartilhados pela família.

Onde é feito o tratamento?
Nas Unidades Básicas de Saúde. A consulta e todo o tratamento, incluindo os medicamentos, gratuitos.

Há necessidade de separar o portador de seus familiares?
Não. A pessoa que está fazendo tratamento contra a hanseníase pode e deve ficar junto de sua família, no trabalho, na escola, sem sofrer separação ou rejeição.