
Um bebê de três meses morreu em Betim em decorrência da meningite, segundo a Secretaria Municipal de Saúde, no dia 3 de outubro, criança passou mal e foi atendida na UPA Norte, de lá foi encaminhada para o Centro Materno-Infantil (CMI) com suspeita de sepse de provável foco meníngeo.
O paciente realizou os exames para confirmação diagnóstica. Permaneceu na Unidade de Terapia Intensiva do CMI e evoluiu a óbito no último domingo (9). Após exame, o diagnóstico foi confirmado para o tipo Meningite por pneumococo. Agente detectado no sangue: Streptococcus Pneumoniae.
De acordo com dados da Vigilância Epidemiológica, nos dois últimos anos, foram notificados 46 casos suspeitos de meningite, em residentes de Betim, sendo 38 confirmados até o momento. No mesmo período ocorreram cinco óbitos por meningite, sendo dois em 2021 e três em 2022. Ainda segundo dados epidemiológicos, não há um avanço da doença no município.
Sobre a doença
A meningite é provocada pela inflamação das membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal (meninges). Ela pode ser causada por vírus, bactérias, fungos ou parasitas e as complicações podem levar o indivíduo a ter sequelas e ao óbito. A doença, considerada endêmica no Brasil, acomete pessoas de qualquer idade, mas o maior risco é para crianças menores de cinco anos. Por esse motivo, o esquema vacinal é iniciado logo após o nascimento do bebê, por meio da vacina BCG.
A transmissão se dá por meio das vias respiratórias, ou seja, de pessoa para pessoa, por gotículas e secreções do nariz e da garganta. Há casos em que a transmissão é fecal-oral, por meio da ingestão de água ou alimentos contaminados, ou ainda pelo contato com fezes de pessoas infectadas. A ocorrência das meningites bacterianas é mais comum no outono-inverno e das virais, na primavera-verão.
Devido ao risco de agravamento clínico, os casos suspeitos necessitam de internação hospitalar. O diagnóstico é feito por meio de coleta de amostras de sangue e líquido cefalorraquidiano (líquor). O laboratório pesquisa nas amostras alterações compatíveis com a meningite e também buscam identificar qual o agente que está causando a infecção, para que o médico defina como será feito o tratamento mais adequado a cada infecção.
As opções de tratamento variam de acordo com o agente causador da meningite, como descrito abaixo:
| Tipo de meningite | Tratamento |
| Bacteriana | Faz-se uso de antibioticoterapia em ambiente hospitalar. Recomenda-se ainda o tratamento de suporte, como reposição de líquidos e cuidadosa assistência. |
| Viral | O paciente é internado e monitorado quanto a sinais de maior gravidade, e se recupera espontaneamente. Porém alguns vírus, como o herpesvírus, podem provocar meningite com necessidade de uso de antiviral específico. |
| Fúngica | O tratamento é mais longo, com altas e prolongadas dosagens de medicação antifúngica, escolhida de acordo com o fungo identificado no organismo do paciente. |
| Parasitária | Tanto o medicamento contra a infecção como as medicações para alívio dos sintomas são administrados por equipe médica em paciente internado. |
Entre as medidas de prevenção da doença, podemos destacar:
. Manter o cartão de vacinas atualizado.
. Evitar locais com aglomeração de pessoas;
. Deixar os ambientes ventilados, se possível ensolarados, principalmente, salas de aula, locais de trabalho e veículos do transporte coletivo;
. Não compartilhar objetos de uso pessoal;
. Reforçar os hábitos de higiene, lavando as mãos com frequência, especialmente antes das refeições;
É importante ressaltar que a SES-MG mantém vigilância ativa da meningite, para que todo caso seja notificado pelos municípios, acompanhado e analisado. Dessa forma é possível identificar os agentes que estão em circulação no território, para adotar as medidas mais adequadas e avaliar a eficácia de algumas etiologias que possuem vacina como medida de prevenção. Após o recebimento das notificações, técnicos da vigilância epidemiológica e da assistência dos municípios avaliam cada caso e realizam as ações e recomendações necessárias individualmente.
Vacinação
A SES-MG destaca que não há uma campanha anual específica para a vacinação contra a meningite. As vacinas Meningocócica C e Meningocócica ACWY fazem parte do Calendário Nacional de Vacinação e são disponibilizadas na rotina dos serviços de vacinação e nas Campanhas de Multivacinação. O Ministério da Saúde, por meio do Programa Nacional de Imunizações (PNI), disponibiliza, gratuitamente, as seguintes vacinas contra a meningite:
– Vacina meningocócica C (conjugada) – Meningo C
Administrar 2 (duas) doses, aos 3 (três) e 5 (cinco) meses de idade, com intervalo de 60 dias entre as doses, mínimo de 30 dias.
Reforço: Administrar o reforço aos 12 meses de idade.
– Vacina meningocócica ACWY (conjugada) – Meningo ACWY
Adolescentes de 11 e 14 anos – Administrar 1 (um) reforço ou 1 (uma) dose. A vacina meningocócica ACWY (Conjugada) para os adolescentes de 13 e 14 anos estará disponibilizada, temporariamente, até junho de 2023.
– Vacina pneumocócica 10-valente (conjugada) – Pneumo 10v
Meningite por pneumococo.
Administrar 2 (duas) doses aos 2 (dois) e 4 (quatro) meses de idade, com intervalo de 60 dias entre as doses, mínimo de 30 dias.
Reforço: Administrar 1 (um) reforço aos 12 meses de idade.
– Vacina adsorvida difteria, tétano, pertussis, hepatite B (recombinante) e Haemophilus influenzae B (conjugada) – Vacina Penta
Meningite por Haemophilus influenzae.
Administrar 3 (três) doses, aos 2 (dois), 4 (quatro) e 6 (seis) meses de idade, com intervalo de 60 dias entre as doses, mínimo de 30 dias. A terceira dose não deverá ser administrada antes dos 6 (seis) meses de idade.
– Vacina BCG
Meningite tuberculosa (a vacina BCG protege contra a meningite tuberculosa)
Administrar dose única, o mais precocemente possível, de preferência, logo após o nascimento.
A SES-MG ressalta que outras vacinas virais, como as que protegem contra sarampo, rubéola, caxumba e varicela, também têm efeito protetor para meningites virais, causadas pelos mesmos vírus.
Mais informações sobre a doença e o detalhamento de causas e sintomas, por etiologia, podem ser obtidas no site www.saude.mg.gov.br/meningite
Fonte: Secretaria de Estado de Saúde




