
A Câmara Municipal de Betim realizou, na manhã desta quarta-feira (22), uma audiência pública para debater os desafios enfrentados pelos motoboys no município. A iniciativa, proposta pelo vereador Tiago Santana, teve como foco a segurança, as condições de trabalho e a proteção social da categoria.
Tiago Santana presidiu a audiência e destacou a relevância do serviço prestado pelos profissionais, além da necessidade de dar visibilidade às demandas e avançar em soluções concretas. Durante o encontro, vereadores e representantes de diferentes setores apontaram riscos e carências enfrentados diariamente pelos motociclistas.
O vereador Adelio Carlos chamou atenção para os perigos do trânsito e para a ausência de pontos de apoio adequados em Betim. Ele citou como referência a estrutura existente em Belo Horizonte, que oferece suporte aos trabalhadores. Já o vereador Alexandre da Paz sugeriu a adoção de protocolos para aumentar a segurança da categoria, enquanto Zequinha Romão ressaltou a importância do debate público sobre o tema.
O secretário municipal de Mobilidade Urbana, Daniel Costa, afirmou que a estrutura viária da cidade não acompanhou o crescimento da frota de veículos e das novas demandas, como os serviços por aplicativo e entregas. Segundo ele, Betim conta atualmente com apenas 27 agentes de trânsito. O secretário defendeu a criação de pontos de apoio com participação da iniciativa privada e a necessidade de reavaliar a gestão da mobilidade urbana, incluindo o possível retorno do estacionamento rotativo.
Representando a Polícia Militar de Minas Gerais, o major Marconi Araújo apresentou dados sobre acidentes envolvendo motociclistas e destacou a redução da criminalidade no município nos últimos 12 anos.
Motoboys presentes reforçaram a urgência na implantação de pontos de apoio equipados com banheiro, bebedouro, áreas de descanso, micro-ondas e locais para recarga de celulares. Também solicitaram melhorias no trânsito para reduzir acidentes.
Ozeias Martins, da União dos Profissionais de Aplicativo (UPA), criticou a falta de garantias trabalhistas oferecidas por empresas como iFood, 99 e Uber. Ele defendeu a criação de um aplicativo regional como alternativa para melhorar a remuneração e as condições de trabalho.
O presidente do Sindmotos/MG, Donizete Antônio de Oliveira, destacou o aumento das demandas da categoria e informou que a entidade passou a integrar uma central sindical e a confederação de transporte. Já o diretor do Samu, Nick Douglas, alertou para o alto número de ocorrências envolvendo motociclistas, com cerca de 4.500 vítimas registradas no Hospital Regional Professor Osvaldo Franco.
Ao final, Tiago Santana informou que as propostas serão encaminhadas aos órgãos competentes por meio de requerimentos. Entre os principais encaminhamentos estão a criação de pontos de apoio, vagas exclusivas para motociclistas, ampliação do corredor azul, revisão do Código de Posturas, campanhas de conscientização, desenvolvimento de um aplicativo municipal, melhorias na sinalização viária e reforço no policiamento, especialmente no período noturno.



