Após trocar de profissão, produtora assume negócio da família e fortalece produção de cachaça em Igarapé

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Arquivo pessoal

A decisão de mudar de profissão e a necessidade de reforçar a mão de obra no negócio da família levaram a tecnóloga em Gestão Ambiental Aline Alves Pereira a retornar ao Sítio João Durval, na zona rural de Igarapé. Desde 2024, ela passou a integrar oficialmente a produção artesanal da Cachaça Durvalina, dando continuidade a uma tradição familiar iniciada há 43 anos.

A história do alambique começou quando o pai de Aline, João Alves Pereira, decidiu investir na produção de cachaça após enfrentar prejuízos com o cultivo de hortaliças. O empreendimento contou com o apoio do avô da produtora, Durval, conhecido na família por ser apreciador da bebida. Em homenagem ao patriarca, a cachaça recebeu o nome de Durvalina.

Hoje, aos 74 anos, João Alves continua acompanhando todas as etapas da produção, trabalhando lado a lado com a filha. Para Aline, participar do negócio da família representa a continuidade de um legado construído ao longo de décadas.

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Um dos primeiros desafios assumidos por ela foi a regularização do alambique junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O processo contou com o acompanhamento da Emater-MG, tanto por meio do escritório local quanto da unidade central, que prestaram assistência nas reformas necessárias para adequação da estrutura e na emissão do Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF).

Segundo a extensionista da Emater-MG, Carolina Vilela Moreira, o apoio técnico e o empenho da família foram fundamentais para a conclusão da regularização. Para Aline, a conquista representa o reconhecimento de um trabalho coletivo.

“A regularização é a concretização de todo o esforço dedicado. Seria impossível sem a dedicação de todos. É um mix de emoções, alívio, alegria e sensação de dever cumprido”, afirma.

Atualmente, a gestão administrativa do empreendimento é conduzida por Aline e sua irmã, Renata Alves Pereira. Enquanto elas são responsáveis pela administração do negócio, o pai, um primo e um funcionário cuidam do cultivo da cana-de-açúcar e da produção da bebida.

O alambique produz dois tipos de cachaça: a branca, armazenada em barris de madeira de amendoim, e a amarela, envelhecida em barris de amburana. A comercialização atende consumidores de Igarapé, São Joaquim de Bicas e Juatuba.

Para a extensionista Carolina Vilela Moreira, a experiência da família demonstra a importância da sucessão familiar no campo e da participação feminina no setor rural.

“O diálogo entre pai e filhas teve como resultado transformações no alambique, na organização do processo produtivo e na qualidade da cachaça. A participação das irmãs ainda evidencia a crescente inserção das mulheres nas atividades produtivas do meio rural e traz novas perspectivas para o setor”, destaca.