Câmara de Contagem busca entendimento sobre mudanças na Educação

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Educadores lotam o plenário da Câmara contra a proposta da Secretaria de Educação de Contagem. Foto: Samuel Junio Tomaz

As comunidades escolares de várias instituições de ensino de Contagem lotaram as galerias da Câmara Municipal nesta terça-feira (05), para protestar contra a falta de diálogo nas mudanças propostas pela Secretaria Municipal de Educação (Seduc) para a rede de ensino. O Legislativo abriu sua tribuna para que pais de alunos externassem seu descontentamento e, nesta quarta-feira (06), promoveu reunião entre vereadores, pais de alunos, professores, diretores e sindicato com o secretário de Educação, Joaquim Gonçalves.

O anúncio das alterações foi feito na última quinta-feira (30), assim como o investimento na área. Elas incluem a oferta de curso de inglês para alunos a partir do 1º ano, inclusão de uniformes nos kits escolares, distribuição de tablets para todos os alunos do 6º ano e utilização de lousa digital nas salas desses estudantes, reformas de escolas, contratação de mais servidores e abertura de mais 2.351 vagas para crianças até cinco anos de idade.

Diante de tantas melhorias, o que mais chamou atenção e preocupou a comunidade escolar foi a reorganização do atendimento em algumas escolas. A proposta seria deixar de oferecer todo o ensino fundamental em apenas uma escola, mantendo apenas os ciclos iniciais em uma escola e os finais em outra na mesma região. Desta forma, muitos estudantes já teriam que mudar de escola já no próximo ano, e essas instituições já teriam de estar preparadas.

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Na plenária e na reunião com o secretário, a comunidade escolar reclamou que não foi consultada sobre a mudança, e que o tempo seria muito curto para a adaptação tanto das escolas quanto de pais e alunos. Os pais destacam que a mudança abrupta já está causando traumas psicológicos nas crianças, e temem pelos estudantes portadores de deficiência; ressaltam que ela também representará transtornos em relação ao transporte desses alunos e que há preocupação de que as salas de aulas sofram com superlotação.

As diretoras de escolas ainda tentam entender como as escolas se adequarão à proposta, e temem pela questão da segurança, já que existem, em algumas regiões, conflitos entre bairros. E o Sind-Ute questiona o estudo em que foi baseada a alteração, sem a participação da comunidade escolar, e teme que os profissionais da Educação sejam prejudicados.


Proposta negada

Na reunião desta quarta-feira (06), o secretário Joaquim Gonçalves explicou que a atual gestão “pegou a rede com muitos problemas e está tentando resolvê-los, e isso acaba gerando alguns transtornos”. Ressaltou o maior investimento do governo na área e todas as melhorias que estão em curso. “Nosso objetivo é garantir oportunidades iguais a todos os estudantes, com tecnologia, vagas, material e um ensino de qualidade para todos”, declarou.

Após as manifestações dos pais de alunos, diretores, professores, sindicato e vereadores, foi proposto à Seduc que, diante do curto prazo para adaptação, a proposta de alteração seja executada apenas em 2019, deixando o próximo ano para os debates e adequações necessárias dos pais, estudantes e escolas. A ideia partiu de entendimentos prévios entre o secretário e as diretorias das escolas Eli Horta e Babita Camargos, que terão esse prazo de adaptação; e os presentes propuseram que isso fosse aplicado a toda a rede.

No entanto, o secretário se manteve irredutível, reafirmando que a mudança já ocorrerá em 2018, e que permanece também aquilo que foi combinado com algumas escolas específicas que se reuniram com ele nesta semana.

Em contrapartida, a presidência da Câmara, na figura do vereador Daniel Carvalho (PV), e o presidente da Comissão de Educação da Casa, vereador Alex Chiodi (SD), se comprometeram continuar buscando uma alternativa para o impasse. E alguns vereadores prometeram assinar um documento pedindo que a Secretaria de Educação reconsidere a decisão.