Contagem: Número de médicos é ampliado na rede municipal de saúde

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Prefeitura investe na contratação dos profissionais para atender de forma mais ágil e com qualidade a população

O relógio marcada 10h46 quando os gêmeos Ana Valentina Caldeira Soares e Nicolas Benjamim Cadeiras Soares, 1 ano e 2 meses, chegaram à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Ressaca, na última sexta-feira (5). Levados pela mãe, Ana Paula Silva, de 30, as  crianças apresentavam um quadro forte de gripe, com garganta inflamada, coriza e vias áreas congestionadas. í€s 10h52, eles foram chamados para avaliação médica.

Em menos de sete minutos, os pequenos já estavam recebendo os primeiros atendimentos. Investindo na contratação de médicos para diminuir o tempo de espera e mais qualidade no atendimento, a Prefeitura de Contagem, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), contratou desde janeiro deste ano 118 médicos, que estão atuando na Atenção Básica à Saúde, Urgência e Emergência e Complexo Hospitalar.

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“Eles estão muito gripados.  Fico satisfeita em chegar aqui e  encontrar médico e mais ainda de não ter que esperar o dia inteiro. Meses atrás, com a falta de pediatra, era preciso ir para Belo Horizonte” , ressalta Ana Paula, mais aliviada.

Com dor de garganta e febre, Arthur de Souza Moreira, 6 anos, foi à UPA acompanhado da avó, a aposentada Ana Bernadete da Costa. “Essa noite ele quase não dormiu. Viemos aqui e o atendimento está bom e rápido. É muito importante ter pediatra, pois a gente nunca sabe quando a criança vai adoecer” , comentou Ana Bernadete.

Desde o início do ano, para melhorar o atendimento nas UPAs, a atual gestão fez adequações nos plantões. Após a reorganização da escala de trabalho, a Superintendência de Urgência (Surg) dobrou o número de pediatras, sendo dois profissionais por plantão, desde 1° de maio, na UPA Ressaca.

“A chegada desse segundo  pediatra nesta época do ano é muito bem-vinda. Com o frio, o número de atendimentos de crianças cresce em média 30% devido a doenças típicas do outono e inverno” , comenta a referência técnica da UPA Ressaca, a médica Leiliane Lemes Neiva. Até meados de maio, a UPA Vargem das Flores também contará com dois médicos desta especialidade.

A pediatra Geyza Teixeira esclarece que nesta época as doenças respiratórias são as que mais atingem as crianças. “Bronquiolite causando a primeira crise de asma, amigdalite, sinusite, bronquite e pneumonia estão entre as principais. Por isso, é importante que os pais estejam atentos ao modo como as crianças respiram, se há algum esforço, tosse, secreção, se estão mais cansadas” , alerta. Segundo Geyza, a imunidade da criança não está completa. “Por isso é importante evitar friagem, estar bem alimentada e hidratada, medidas que podem ajudar. De acordo com a literatura médica, uma criança pode ter cinco resfriados durante um ano” , completa.
Nova realidade

“O atendimento de qualidade e com agilidade é nossa meta maior” , destaca o superintendente da Surg, Cleber de Faria Silva. “Pegamos as UPAs muito desfalcadas. Estamos trabalhando com afinco para disponibilizar profissionais para as unidades, como pediatras. Levamos o déficit ao secretário Bruno Diniz e ele foi sensível em atender nossa demanda. Contagem segue na mão contrária de outros centros urbanos, que estão fechando alas pediátricas pela falta de profissional” , aponta Silva.

Segundo dados da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), o número de médicos que se tornam pediatras vem caindo. Em 1996, 13,6% dos médicos eram dessa especialidade, mas em 2016 caiu para 10%, o que se reflete na menor presença deste profissional no mercado.

Partos

Uma situação inusitada vem se repetindo na UPA Ressaca desde janeiro. Cinco partos foram realizados na unidade. Na manhã da última quinta-feira (4), Denise Ferreira da Silva deu à luz a pequena Sofia com 46 centímetros e 2,6 quilos. “Ela foi muito bem atendida, fazia o pré-natal na equipe 50. Logo pela manhã, a bolsa rompeu e ela foi levada à UPA” , conta a sogra de Denise, Marisa Silva.

Segundo a referência técnica Leiliane Lemes Neiva, os partos acontecem na unidade devido à distância da maternidade para quem mora na região da Ressaca e Nacional. “Quando as gestantes chegam, já estão com a bolsa rompida. Fazemos os procedimentos necessários. Antes de encaminhar à maternidade, verificamos a saúde da mãe e do bebê” , explica.