“Acho que meu dever está em ficar aqui e cumprir meu mandato até 2020”, destaca Vittorio em entrevista ao portal Agita

0
1485
Empresário do setor de transporte e bioenergia, Vittorio Medioli cumpre seu primeiro mandato como prefeito. (Edson Dutra)

Perto de encerrar o seu primeiro ano como prefeito de Betim, Vittorio Medioli concedeu uma entrevista exclusiva ao portal Agita. Ele respondeu sobre diversos temas que estão na pauta dos betinenses, como sua decisão de não reajustar as tarifas do transporte público municipal; se vai, ou não, sair como candidato ao governo de Minas Gerais e como os ajustes feitos na gestão do Município foram responsáveis pela manutenção dos serviços municipais oferecidos à população. Confira.

1 – Há um boato de que o antigo Clube da Fiat pode se tornar um Centro de Educação Complementar para atender alunos do programa Escola Bem Integral, com atividades esportivas e de lazer. O senhor confirma isso?

Vittorio Medioli: Fizemos a proposta de assumir o clube que se encontra desativado para, assim, dedicá-lo aos programas de atenção integral. Espero que isso dê certo, em breve.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

2 – Pela primeira vez na história, um prefeito freia o reajuste imposto pela viação Santa Edwiges, e propõe participação do MP na discussão. Nesse debate, há espaço para represente dos usuários?

VM: Claro que sim, os usuários são os destinatários e os mais interessados. Mas já aviso que a discussão não pode servir de  palanque. O que interessa é uma solução para atender a população.

3- Assim como o prefeito de São Paulo, João Dória, o senhor foi destaque na mídia nacional por fazer um decreto em que abre mão do salário. Este decreto será renovado para 2018?

VM: Sim. Apesar de termos melhorado o desempenho financeiro da prefeitura, não vejo razão de mudar a renúncia do salário. Já tenho do que viver.

4 – O ano de 2017 pode ser definido como o ano do reequilíbrio das contas do município? 

VM: Sim. Já equilibramos as contas com sacrifícios e adequações, e sem investir, mas apenas usando de parcerias e ações inteligentes. Pagamos o 13º salário e liquidaremos os salários, dentro do mês de dezembro.

5- Quais foram às ações de austeridade tomadas logo ao assumir a prefeitura?

VM: Muitas e incontáveis. Essencialmente cortamos as ineficiências, os desvios, contratos sem necessidades, cabides de empregos, mordomias, nos livramos dos desperdícios da I.cismep e de alguns contratos viciados. As economias reais passaram de R$ 190 milhões, mesmo mantendo e melhorando os serviços, pagando as dívidas herdadas e sem aumento de arrecadação. Os planos de anistia fiscal, que rendiam, no máximo, R$ 4 milhões, renderam nesse ano R$ 30 milhões, e isso tem ajudado. Para isso, procurei pessoalmente presidentes de empresas e os sensibilizei que precisava quitar dívidas, isso, aliado a uma boa estruturação, tem  ajudado muito. Mais empresas também passaram a recolher corretamente, pois enxergaram que estamos usando bem os recursos.

6 – O Estado tem atrasado nos repasses constitucionais. Quantos e quais são esses repasses?

VM: O Estado está devendo R$ 65 milhões de ICMS, R$ 3 milhões de IPVA, R$ 2,4 milhões de assistência social, e ainda temos  a receber R$ 5 milhões de Fundeb.

7 – Este ano a cidade viu grandes obras se iniciarem por meio de Parceria Público Privado, como a Rodoviária e a Via das Indústrias. O betinense pode esperar mais obras por meio de PPP?

VM: Sim. Além dessas obras citadas, também temos três creches, e outras quatro estão acertadas, assim como cinco UBS, o aeroporto, que será construído pela iniciativa privada e vários viadutos e trincheiras com acordo com VLI.

8 – O que foi feito esse ano para sanar os principais problemas encontrados no Sistema Público de Saúde?

VM: Colocamos controles mais rígidos e cortamos, na raiz, práticas absurdas de desfrute da coisa pública. Introduzimos muita honestidade, competência e vontade de fazer.

9 – Abandonada pelas duas últimas gestões, como está o andamento das obras de reforma da UPA Norte?

VM: Entrará em funcionamento em 2018, num novo modelo ampliado e em parcerias com entidade filantrópica. Em seguida, remodelaremos as demais e, também, construiremos o Centro Materno-Infantil com 120 leitos.

10 – Mesmo sendo obrigação do Estado, o que a prefeitura tem feito para amenizar um dos principais problemas da cidade, que é a violência?

VM: Prestamos muita atenção à origem dos acontecimentos e conseguimos uma queda de 35% em assaltos e 15% em homicídios.

12 – O ano de 2017 também foi marcado pelo retorno de grandes eventos culturais, como o Betim Rural, a Feira da Paz, Pré-Carnaval, além de uma intensa programação cultural da Funarbe. Para 2018, estes eventos estão garantidos?

VM: Sim, ampliaremos e melhoraremos em programas culturais. A Funarbe teve um desempenho espetacular, como a Superintendência de Eventos e a Secretaria de Comunicação.

13 – O senhor tem sido citado em várias pesquisas eleitorais para o Governo de Minas. Há alguma possibilidade de postular o cargo?

VM: Isso significa e que a forma de conduzir a prefeitura de Betim tem despertado atenção. Acho que meu dever está em ficar aqui e cumprir meu mandato até 2020. Gostaria de ficar aqui e deixar Betim uma cidade mais acolhedora e um exemplo de administração.

14 – Apesar de possuir mais de 400 mil habitantes, Betim não possui um deputado federal, o seu grupo pretende lançar algum nome ou incentivar alguma candidatura para que a cidade volte a ter representatividade política?

VM: Ter parlamentar que usa o mandato para castigar o povo de Betim é uma covardia. O eleitorado precisa analisar quem está, o que está fazendo e falando. Espero que Betim possa escolher pessoas de bem, arejadas e honestas. Mas os candidatos precisam mostrar suas virtudes. Hoje, o eleitor de Betim amadureceu e votará em peso em bons candidatos.

16 – Na região metropolitana o senhor é talvez o único prefeito que tem esse contato semanal com os cidadãos, por meio de transmissão ao vivo pelo Facebook, respondendo a todo tipo de questionamento. Para 2018 este programa será mantido?

VM: Até o final do meu mandato. Pode ser cansativo, para ambas as partes, mas é justo que com a tecnologia qualquer um possa entrar em contato para esclarecimentos, sugestões e criticas. Eu faço isso como um dever e, também, para mostrar as razões, as apreensões, os projetos e, também, recolher os recados, as necessidades, as tendências e os desabafos.

17 – Por vários anos, muitos se acostumaram com a cultura do toma lá da cá, com o assistencialismo e o aparelhamento da máquina pública em troca de apoio político. O que a sua gestão tem feito para mudar isto?

VM: Na minha campanha deixei claro que não haveria cabides de empregos, nem desfrute da coisa pública. Assim, me mantive coerente. Certamente tenho desagradado aqueles que entendem o governo como uma forma de tirar vantagens pessoais. Hoje, todas as vantagens são para a população, que recebe serviços de qualidade. Alguns ficaram furiosos, mas foi eleito por 61.6% dos eleitores que confiaram nessa proposta. A absoluta maioria não quer saber mais da velha, e velhaca, política.

18 – Deixe uma mensagem aos internautas do Portal Agita.

VM: Agradeço a todos. Espero ter honrado os votos que recebi, e saibam que aquilo que fizemos é o começo, muito ainda temos a fazer. Usamos de toda a nossa energia e força. Estou muito satisfeito em ver que a honestidade é premiada, pois procuramos mantê-la como a nossa companheira de todas as horas.

Facebook. Prefeito vai manter programa semanal, no qual responde a perguntas, elogios e críticas enviadas pelos internautas. (Edson Dutra)