
Por: Bárbara Ribeiro
Foi nesta terça-feira (24) que o Twitter se tornou um local de fala para muitas betinenses que enxergaram na plataforma uma oportunidade de compartilhar certas situações de violência vividas.
A tag #exposed, que começou no município e chegou aos trend topics do Twitter, foi o principal marco do movimento de união entre as jovens vítimas de assédio. Tudo teve início quando uma delas decidiu expor em seu perfil as ameaças e abusos que sofreu de um amigo. Logo, várias usuárias e moradoras da cidade, sentindo-se encorajadas pelo post, começaram a contar suas próprias experiências, dando ao caso grandes proporções.
Rapidamente, muitas meninas começaram a compartilhar prints de mensagens e fotos inapropriadas enviadas por garotos através de suas redes sociais. Segundo os relatos, que demonstram a grande recorrência desse tipo de violência, na maioria dos casos o conteúdo dessas mensagens era composto por assédio e ameaças.
Inúmeros prints, áudios, fotos, vídeos e textos foram compartilhados com a tag, expondo não somente a situação, mas os nomes e sobrenomes de cada garoto envolvido. Os conteúdos fortes e assustadores evidenciaram que são extremamente comuns casos em que homens enviam mensagens inapropriadas pelas redes sociais. Mais do que isso, confirmaram que o assédio extrapola, da pior forma, o ambiente virtual.
A partir disso, várias jovens também relataram ter sofrido abusos durante a infância e adolescência. Muitas delas, que não tiveram coragem para falar do assunto anteriormente, passaram a compartilhar suas histórias ao saberem que não foram as únicas vítimas. Além disso, há diversos relatos de assédio em festas e eventos por parte dos mesmos homens identificados.
O grande número de comentários na thread fez com que o assunto também alcançasse outros municípios da região como Belo Horizonte, Contagem e Igarapé. Além disso, o nome de um dos agressores também esteve entre os assuntos mais falados na rede social. Por outro lado, os fatos levaram à mobilização muitas garotas que inclusive criaram uma página na rede social para informar sobre as demais sobre como é configurado o assédio.
“E acho que é ainda mais importante pra valorizarmos nossa voz e o movimento que começou aqui, porque juntas somos muito mais fortes e precisamos acreditar nisso”, diz uma das jovens que esteve à frente do movimento.
A ação, que começou em Betim, resultou na mobilização de meninas de todos os lugares, as quais se uniram para expor e denunciar os abusos sofridos por muito tempo. E é através da rede social que estas jovens buscam o protagonismo e o lugar de fala diante de uma sociedade que cala e omite a violência de gênero.
Violência de gênero no estado e no país
Em um ranking com 84 nações ordenadas pelas taxas de feminicídios, o Brasil ocupa o sétimo lugar. A pesquisa também revela que Minas só perde para o Espírito Santo, estado com maior número de casos de feminicídios no país.
Os diversos tipos de violência (física, psicológica, patrimonial, sexual, dentre outros) prevalecem em todo o Estado, mas a maioria dos casos observados em Betim foram de violência sexual, física e psicológica. De acordo com os dados da Secretaria de Estado de Justiça Segurança Pública (Sejusp), em 2018 a média de mulheres que sofreram algum tipo de violência no município era de 1.914.
Se você está passando ou conhece alguém em situação de violência, denuncie:
Delegacia Especializada de Crimes Contra a Mulher
Rua Cecília Júlia do Prado, 255 – Centro – Betim
3531-3056 / 3531-1518
– Ligue 180 (serviço telefônico gratuito disponível 24 horas por dia em todo o país);
– Clique 180, aplicativo para celulares com sistemas Android ou iOS;
– Ligue 190, em caso de emergência;



