Mestras e quitandeiras foram aplaudidas de pé pelo público no encerramento do festival
Entre os dias 12 e 15 de julho, a Praça Miguel Henriques da Silva, em Igarapé, transbordou de delícias, aromas e saberes da tradicional culinária mineira de raiz, aquela cuja essência são as receitas transmitidas pelas avós – preparadas com ingredientes fresquinhos, colhidos em hortas e quintais, quase na hora de irem para o prato.
O Festival Igarapé Sabor – Mestras e seus temperos 2018 superou todas as expectativas da Prefeitura e da Associação das Mestras da Culinária de Igarapé (Asmeci), organizadoras do evento. A Polícia Militar estima que aproximadamente 30 mil pessoas tenham passado pelo local durante a festa, número equivalente ao dobro do público registrado na edição anterior.
“Mestras, o Igarapé Sabor só é possível por causa da existência de vocês. Sem vocês, de nada adiantaria toda essa estrutura, nunca conseguiríamos realizar uma festa tão bonita, rica em sabores e saberes culinários”. A exaltação foi feita pelo prefeito Carlos Alberto da Silva (Nem), ao falar do sucesso do evento e agradecer a participação de todos que contribuíram para a organização. Ele também agradeceu aos cantores locais, que contribuíram para abrilhantar ainda mais o festival gastronômico igarapeense.
A despedida do festival foi um dos momentos mais emocionantes para as mestras. O grupo de mestras e quitandeiras foi aplaudido de pé por todo o público que ainda permanecia na praça, ao fazer o trajeto do Palco Gourmet até o Palco Artístico, espaço da solenidade de encerramento da festa. A reverência pelo reconhecimento do trabalho delas, as deixaram visivelmente emocionadas.
“O Igarapé Sabor não é apenas uma festa da gastronomia, é uma oportunidade para mostrar quem realmente somos, a essência de nossos valores, transmitidos pelos nossos pais e que nós guardamos nessa caixinha chamada coração. É uma festa que fazemos com nossa família e é quando a nossa praça da Matriz se transforma numa grande cozinha”, destacou em nome do grupo, a Mestra Adriana Mundim.


Programação

Foram quatro dias de programação intensa e variada, conciliando comida gostosa, boa música, lazer e cultura, num ambiente agradável, que atraiu famílias inteiras de Igarapé e de outras cidades da região metropolitana e de outros estados brasileiros.
O engenheiro Luciano Texeira, 68, morador de Sete Lagoas, foi um dos visitantes que aprovou o festival sob todos os aspectos. Acompanhado da esposa, do filho e da nora que moram em Betim, ele elogiou a organização do evento. “Vim a convite do meu filho e adorei. Festa boa demais. Além da comida gostosa, tudo muito bem organizado. Valeu a recomendação”
Na Alameda das Mestras, elas comprovaram porque são as donas da festa. Cozinhando com a memória afetiva, aprendizados que trazem na alma e no coração, elas conseguiram atender os mais exigentes paladares, com 21 pratos feitos à base de ingredientes simples, mas carregados de sabor, como gordura de porco, umbigo de banana, ora-pro-nóbis, taioba, mamão verde, cansanção, milho verde, frango caipira e carne de lata, tradição culinária que as mestras querem deixar a seus descendentes.
Moradora de Contagem, Cremilda Vieira, 48, disse que as “comidinhas” do festival a fez voltar no tempo, da infância em Sacramento, no triângulo mineiro. “Adorei o prato com umbigo de banana e angu de milho verde. Quando criança, minha mãe não desperdiçava um umbigo de banana”, recordou a artesã.
Quitandas: um show à parte
O Espaço das Quitandas foi outro ponto alto do Igarapé Sabor. As quitandeiras deram um show à parte no manejo e manuseio do fogão a lenha, fornos de barro e tachos gigantes, e assim, garantiram ao público broas, bolos, biscoitos fritos e assados, sempre quentinhos. Todas essas delícias, acompanhadas de café fresquinho e de chás aromáticos de ervas cultivadas no quintal de casa, como a cidreira, alfavaca, hortelã, e até mesmo de cravo e canela.
As amigas Sílvia Lima, 46, e Edna Gaia, 49, moradoras de Belo Horizonte e Contagem, respectivamente, saíram da cama cedo no sábado (14), rodaram cerca de 50 km, só para tomarem o café da manhã na Praça das Quitandas. “No ano passado, vários amigos estiveram aqui e nos recomendaram a festa. Por isso, levantamos cedinho para tomar o café na praça. Está tudo delicioso, o chá de cravo, o cafezinho, e sem o falar nos biscoitos fritos sequinhos que há anos não comíamos”, revelaram.
Espaço Gourmet
O Palco Gourmet foi mais um espaço para celebrar as delícias do Igarapé Sabor. No local, o chef Renato Lobato e outros chefs de renome nacional, como Edson Puiati, e de renome regional, como Thiago Lima e Leonardo Simin, se revezaram, acompanhados de Mestras, para o preparo de receitas ao vivo e dar dicas de alguns truques culinários.
“Essa pegada da culinária de raiz fomenta não só a economia como também valoriza toda a região no entorno da cidade”, destacou o chef Renato Lobato, responsável pela consultoria às mestras e coordenador dos workshops realizados durante o evento.
Para o chef Lobato, o Igarapé Sabor superou todas as expectativas. Foi Sucesso absoluto. “Na quinta-feira, por exemplo, primeiro dia da festa, não esperávamos todo aquele público. Muitas mestras tiveram que fazer mais comida, pois acabou tudo”.
Os doces, geleias e licores, também atraíram o público do festival que lotaram as barracas em busca de sobremesas à base de frutas como doces de laranja da terra, mamão, cidra, arroz doce, pé-de-moleque, dentre outras delícias.
Com relação às bebidas, a novidade este ano contemplou os amantes de cerveja artesanal. Os visitantes tiveram oportunidade de apreciar duas marcas produzidas em Igarapé.
Culinária Infantil
Como o Igarapé Sabor é para toda a família, o evento teve também seu momento dedicado às crianças. Na manhã de domingo, Lobato interagiu com grupos de meninos e meninas, e mostrou que, sob a supervisão de um adulto, os pequenos também podem ocupar a cozinha.
Bernardo Júnio Rocha Andrade, 6 anos, foi um dos participantes da oficina culinária para o preparo da receita de cookies da copa. Com a mistura de farinha de trigo, manteiga, ovos, chocolate branco, fermento, açúcar mascavo e comum, salpicada de confeitos verde e amarelo, ele e as demais crianças testaram as habilidades mirins no preparo dos biscoitinhos coloridos. “Eu só achei difícil quebrar o ovo, a casca caiu lá dentro, mas vou aprender”, contou orgulhoso o pequeno Bernardo.
Shows
Outro local de atrações do festival foi o palco artístico. Durante os quatro dias de festa, o público lotou a frente do palco para acompanhar, cantar, e dançar com cantores e bandas de sua preferência.
Com talentos e repertórios variados para atender todos os gostos musicais como seresta, MPB, sertanejo, folclórica, os cantores deram o tom da animação do festival.
Apesar de o Brasil ter ficado fora da Copa do Mundo, os organizadores do evento não se descuidaram de disponibilizar telão e aparelhos de TV na praça. Dessa forma, enquanto aproveitava as delícias do Igarapé Sabor, o público pode acompanhar a disputa do terceiro lugar e a final do mundial de futebol, que ocorreram no sábado e domingo, respectivamente.
Artesanato
O Igarapé Sabor é também um dos momentos mais esperados pelos artesãos da cidade, que mantêm suas barracas montadas na calçada principal da Praça da Matriz, durante todo o evento. “Além de divulgar seus trabalhos é também uma oportunidade a mais para elevarem suas rendas”, informou a vice-presidente da Associação dos Artesãos, Giselle Suely Dionísio.
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