Betim inicia soltura de mosquitos com Wolbachia; método reduz em até 89% os casos de dengue

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Divulgação / PMB

Betim iniciou a liberação dos chamados “Wolbitos”, mosquitos Aedes aegypti que carregam a bactéria Wolbachia. A estratégia é realizada pelo World Mosquito Program (WMP) Brasil, por meio da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em parceria com a Prefeitura de Betim e o Governo de Minas Gerais, por meio da Secretaria de Estado de Saúde.

A iniciativa foi estruturada no município desde janeiro e tem como objetivo reforçar o enfrentamento às arboviroses, contribuindo para a redução de casos e mortes provocados por dengue, chikungunya e zika.

O método utiliza mosquitos Aedes aegypti que possuem naturalmente a bactéria Wolbachia. Segundo o WMP Brasil, quando esses mosquitos se reproduzem com a população local, a bactéria é transmitida às gerações seguintes. Com isso, os insetos apresentam capacidade reduzida de transmitir os vírus da dengue, zika e chikungunya.

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Estudos científicos apontam que a estratégia pode reduzir em até 89% os casos de dengue. O método não envolve modificação genética e, segundo os responsáveis pelo programa, é considerado seguro para humanos, animais e para o meio ambiente.

Primeira fase contempla cinco bairros

A primeira fase das liberações em Betim foi definida a partir de critérios técnicos, como o número de casos das doenças e os índices de infestação pelo Aedes aegypti.

Nesta etapa, serão contemplados os bairros Jardim Teresópolis, Santo Antônio, Vila Boa Esperança, Amazonas e Renascer.

As liberações serão realizadas em todas as ruas e avenidas com acesso para veículos dentro do raio técnico estabelecido para cada área. O trabalho deverá durar entre 16 e 20 semanas por área.

A primeira ação ocorreu em 31 de agosto. Nas semanas seguintes, as operações serão realizadas às quartas-feiras, a partir das 5h30.

Mosquitos são produzidos em biofábrica

De acordo com o WMP Brasil, os Wolbitos utilizados na iniciativa são produzidos em uma biofábrica localizada em Belo Horizonte e posteriormente liberados de maneira controlada nas áreas selecionadas.

A presença da Wolbachia interfere na capacidade do mosquito de transmitir os vírus que causam dengue, zika e chikungunya. A estratégia também pode atuar como uma medida preventiva diante de cenários de temperaturas elevadas, que favorecem a proliferação do Aedes aegypti e podem ser intensificados por fenômenos climáticos e pelas mudanças climáticas.

Recursos vêm do Acordo Judicial de Brumadinho

A iniciativa é conduzida pelo WMP Brasil e pela Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais e conta com recursos provenientes do Acordo Judicial de Brumadinho, firmado entre o Governo de Minas, o Ministério Público de Minas Gerais, o Ministério Público Federal, a Defensoria Pública de Minas Gerais e a Vale.

O rompimento da barragem da Vale em Brumadinho ocorreu em 25 de janeiro de 2019 e provocou a morte de 272 pessoas. O acordo prevê investimentos e ações voltados à recuperação social, econômica e ambiental dos territórios atingidos.

Método não substitui combate aos criadouros

A Secretaria de Saúde de Betim reforça que o Método Wolbachia é uma estratégia complementar e não substitui as medidas tradicionais de prevenção às arboviroses.

A população deve continuar mantendo quintais e áreas externas limpos, eliminando recipientes que possam acumular água e permitindo o acesso dos Agentes de Combate às Endemias aos imóveis durante as ações de vistoria.

A pasta também orienta que a população mantenha a vacinação em dia, especialmente na faixa etária indicada de 10 a 14 anos.

A combinação dessas medidas com a estratégia de controle biológico busca ampliar a proteção da população e reduzir a circulação dos vírus transmitidos pelo Aedes aegypti em Betim.