
A Câmara Municipal de Betim aprovou, na manhã desta terça-feira (2), o Projeto de Lei nº 141/2026, que autoriza o município a contratar com a Caixa Econômica Federal (CEF), por meio do Programa de Financiamento à Infraestrutura e ao Saneamento (Finisa), operações de crédito com outorga de garantia.
Na prática, a proposta autoriza a Prefeitura de Betim a contratar um empréstimo de R$ 250 milhões para a aquisição do Monte Carmo Shopping, que deverá abrigar o novo Centro Administrativo Municipal. Dos 23 vereadores, 16 votaram favoravelmente ao projeto, três foram contrários, dois não votaram e outros dois estiveram ausentes da sessão.
Em entrevista a uma rádio da capital, o prefeito Heron Guimarães justificou a iniciativa afirmando que o investimento será viabilizado pela exploração comercial do empreendimento. “Vamos pagar todo investimento com o aluguel que será gerado”, declarou.
Segundo o prefeito, parte da estrutura atual do shopping continuará em funcionamento. Permanecerão no local o supermercado, a praça de alimentação, o espaço Rua de Minas, academia, boliche e parte do cinema. Das sete salas de exibição existentes, três deverão ser adaptadas para funcionar como auditórios da prefeitura, enquanto as demais seguirão operando normalmente.
Heron também argumentou que a atual sede administrativa do município apresenta problemas estruturais, limitações operacionais, deficiência de acessibilidade e elevados custos de manutenção. De acordo com ele, há ainda exigências judiciais para adequações no imóvel atualmente utilizado pela administração municipal, o que demandaria investimentos significativos.
A prefeitura defende que o Monte Carmo Shopping possui características adequadas para receber a nova estrutura pública, como cerca de 100 mil metros quadrados de área construída, estacionamento com mais de duas mil vagas, climatização, acessibilidade, elevadores, escadas rolantes e localização estratégica.
O projeto prevê a transferência de secretarias municipais, órgãos administrativos, áreas de atendimento ao cidadão, centro logístico da Educação, distribuição de medicamentos e até do Instituto de Previdência Municipal para o complexo.
De acordo com a administração municipal, a centralização dos serviços públicos tem como objetivo reduzir custos operacionais e melhorar o atendimento à população. A expectativa é que aproximadamente 10 mil pessoas circulem diariamente pelo local, contribuindo para o fortalecimento do comércio e a valorização da região do Monte Carmo, que também poderá receber estruturas ligadas ao Ministério Público e ao Tribunal de Justiça.
A operação completa está estimada em aproximadamente R$ 450 milhões. Conforme o prefeito, o modelo financeiro prevê uma entrada vinculada ao patrimônio do atual Centro Administrativo e financiamento de longo prazo pela Caixa Econômica Federal, por meio da linha Finisa, destinada a investimentos públicos estruturantes.




