Jovens da Orquestra Filarmônica Ramacrisna, de Betim, conquistam vagas em universidades públicas de música

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Produtora Antenados / Divulgação

Um projeto musical sediado em Betim tem ampliado o acesso de jovens ao ensino superior em música. Nos últimos três anos, 11 integrantes da Orquestra Filarmônica Ramacrisna, do Instituto Ramacrisna, passaram a cursar licenciatura ou bacharelado em instituições públicas, como a Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG) e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

A formação oferecida pela orquestra combina ensino técnico instrumental com prática coletiva e participação em concertos. Os jovens já dividiram apresentações com artistas como Lô Borges e Seu Jorge, entre outros nomes da música brasileira. Em um país onde o acesso à educação musical ainda é marcado por desigualdades, o número de aprovados chama atenção.

Para a vice-presidente do Instituto Ramacrisna, Solange Bottaro, a conexão entre prática artística e desempenho acadêmico é resultado de um trabalho estruturado. “O trabalho na Orquestra vai além do aprendizado do instrumento. Ele desenvolve disciplina, responsabilidade, trabalho em equipe e autoconfiança, competências fundamentais para a vida universitária e profissional”, afirma.

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Entre os estudantes que hoje cursam música estão Juan Santana e Gabriela Lopes. Juan, fagotista, ingressou no bacharelado em música com especialização em fagote na UFMG. Segundo ele, a vivência na orquestra foi determinante para a aprovação. “A Orquestra me deu base técnica, disciplina e, principalmente, experiência real de palco. Quando fui prestar a prova para a universidade, eu já tinha repertório, prática em grupo e maturidade musical. Isso fez toda a diferença no processo seletivo”, afirma.

Já Gabriela, violinista, cursa bacharelado em música com habilitação em violino na UEMG. Ela chegou a interromper o curso, mas retomou os estudos ao reconhecer que queria seguir na área. “Teve um período em que eu pensei em desistir, achei que talvez não fosse dar conta. Mas percebi que a música sempre esteve no centro da minha vida. Voltar para a faculdade foi reafirmar quem eu sou e o que eu quero construir como profissional”, relata.

Segundo a estudante, a base construída na orquestra foi decisiva tanto para o ingresso quanto para a permanência na universidade. “A Orquestra me preparou não apenas tecnicamente para a prova, mas principalmente emocionalmente. Quando eu cheguei na faculdade, já estava acostumada com rotina de ensaio, disciplina e cobrança. Isso fez toda a diferença”, diz.

Para os alunos, o ingresso no ensino superior representa mais que uma conquista individual. “Projetos como a Orquestra Ramacrisna mudam destinos”, resume Gabriela. “Eles mostram que é possível sonhar grande, mesmo quando o caminho parece difícil.”