Prefeitura de Betim usa inteligência de dados para reduzir filas no atendimento especializado em saúde

0
464
 
Edson Dutra

Betim está mudando a forma de cuidar da saúde da população. Em uma estratégia inédita no município, a prefeitura passou a usar o cruzamento de dados para identificar, de forma proativa, pacientes que precisam de atendimento com especialistas — principalmente aqueles com doenças crônicas que exigem acompanhamento constante. A medida já começou a reduzir filas.

Batizada de Navegação do Cuidado, a ação integra sistemas da Secretaria Municipal de Saúde com o Geoprocessamento de Informações (GDI), desenvolvido pela Secretaria de Tecnologia da Informação. A proposta é garantir a continuidade no acompanhamento ao paciente, aliando planejamento, dados e sensibilidade.

Na primeira etapa do projeto, foram mapeados usuários internados em 2024 com diagnóstico de Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), condição que exige atenção permanente. O cruzamento dos dados permitiu identificar 70 pessoas que poderiam se beneficiar de nova consulta especializada. Todas foram cadastradas e tiveram o atendimento agendado de forma ativa pela equipe técnica. Do total, 30% compareceram às consultas, 34% faltaram, 20% cancelaram ou se mudaram e cerca de 15% ainda aguardavam ou não puderam ser localizados.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A experiência evidenciou o potencial transformador da Navegação do Cuidado, mas também revelou desafios como a alta taxa de faltas e falhas cadastrais, reforçando a importância da integração entre os sistemas de informação e a articulação entre os níveis de atenção para garantir continuidade ao cuidado. A abordagem resultou na redução do tempo de espera para consultas especializadas e para o início de tratamentos.

Além de demonstrar o potencial da estratégia para reduzir filas, o piloto destacou a necessidade de fortalecer a integração entre os níveis de atenção. A iniciativa já está sendo expandida para outras doenças crônicas e segue em aperfeiçoamento contínuo.

A atuação dos chamados “antenas” — profissionais que conectam as áreas técnicas da gestão municipal e a assistência — foi essencial para o sucesso da operação, idealizada com apoio da Fundação Beta.

“Essa é uma nova forma de cuidar: saímos da lógica passiva e buscamos ativamente quem mais precisa. Com dados, sensibilidade e articulação, Betim está construindo uma saúde mais justa, eficiente e inteligente”, afirmou a secretária municipal de Saúde, Jaqueline Santana.

O presidente da Fundação Beta, Nykison Linhares, destacou que a estratégia é resultado do uso integrado de ferramentas já disponíveis. “Estamos desbloqueando conexões e promovendo soluções reais. O dado, quando bem utilizado, se torna ponte para decisões mais assertivas e mais dignidade no cuidado”, afirmou.