
Por um lado, uma calamidade declarada, por outro, ações de solidariedade em favor da vida. Essa tem sido a dura realidade de Manaus, capital do Amazonas, que hoje enfrenta um colapso do sistema de saúde em decorrência do aumento recorde de internações por Covid-19. Os hospitais estão lotados, faltam insumos hospitalares, e o oxigênio, que é de suma importância para tratar os infectados pela doença, está com o estoque zerado. Uma situação caótica que, infelizmente, tem levado muitas pessoas a óbito.
Desespero, medo e sofrimento são palavras que resumem o atual cenário da cidade, e provocam comoção não apenas nacional como também internacional. Famosos e anônimos de todas as partes se unem, em solidariedade, tentando prestar socorro aos pacientes e combater a crise pela falta de oxigênio.
Em Betim, algumas pessoas também se solidarizaram pela causa de Manaus, como é o caso do empresário Geraldo Assis, de 52 anos, que se sensibilizou com a grave situação da cidade. Ele, que é voluntário no grupo de resgate “Anjos do Asfalto” há 12 anos, salvando vidas nas margens das rodovias, desta vez, teve um desafio diferente, o de ajudar pessoas que estão lutando para sobreviver dentro dos hospitais, e até mesmo dentro dos próprios lares.
“Me sensibilizei, ao saber que muitas pessoas estavam morrendo pela falta de oxigênio, e isso é lamentável. Então, postei um vídeo na sexta-feira (15), pedindo a colaboração dos meus amigos e parceiros. O vídeo foi ganhando visibilidade, e em quatro dias, consegui arrecadar o valor suficiente para a compra de 62 cilindros de oxigênio”.
A logística de transporte dos cilindros também ocorreu de forma voluntária. O empresário relatou que conseguiu um caminhão emprestado, e viajou com a carga até o terminal de Guarulhos. De lá, uma empresa parceira ficou responsável pelo transporte aéreo até Manaus. Enquanto isso, ele seguiu o voo bastante emocionado e grato pela oportunidade em ajudar ao próximo.
Para a distribuição dos cilindros, foi montada uma rede de contatos e ajuda humanitária com o objetivo de atender as demandas emergenciais. As primeiras pessoas a receberem as doações foram as que estavam sendo tratadas em casa, pois não tinham condições para encher ou comprar o oxigênio. Um total de 42 cilindros foram distribuídos para essas pessoas e os outros 20, para quatro hospitais.
Conforme relata Geraldo, foram quatro dias intensos de trabalho, uma experiência marcante e que será levada para a vida. “ Foi muito triste presenciar o que está acontecendo lá. Alguns estabelecimentos se aproveitam da situação para vender ou reabastecer cilindros de oxigênio com preços altíssimos. Ato desumano, uma triste realidade. Temos a sorte de não estarmos no lugar dessas pessoas”, avaliou.
O Empresário agradeceu aos que contribuíram salvando 62 vidas e deixou uma mensagem para reflexão. “Precisamos resgatar a essência da humanidade. Ajudar ao próximo com amor. Isso nos fortalece para os desafios da vida. Ainda bem que existem pessoas que praticam a empatia. Mais uma vez, agradeço a todos os parceiros, amigos e familiares que abraçaram essa causa comigo. Nosso desejo foi amenizar a dor de quem estava sofrendo, clamando por socorro e lutando pela vida” finalizou.


Empresas solidárias – SOS Manaus
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